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7 de jun de 2008

O narcisismo no mito grego


“Quando eu te encarei frente a frente e não vi o meu rosto,
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto...
É que Narciso acha feio o que não é espelho”
Sampa - Caetano Veloso


Neste mês em que comemoramos o “Dia dos Namorados”, versaremos sobre um dos comportamentos humanos que, infelizmente, impedindo a verdadeira entrega que propicia a felicidade no amor, promove solidão e angústia. Trata-se do narcisismo, tão comum nos dias de hoje como sempre fora no passado. No relato abaixo, consideramos as obras dos mitólogos Robert Graves, Rene Ménard e do brasileiro Junito de Souza Brandão.

Eco era uma bela ninfa dos bosques e das fontes. Sabia de tudo o que se passava nos bastidores do Olimpo; tagarela, era muito fofoqueira e, em qualquer debate, buscava dar sempre a última palavra! A deusa do Amor e da beleza, Afrodite se deleitava com toda futilidade dos mexericos relatados por Eco.

Certo dia, Eco testemunha Zeus, o soberano-poderoso do Olimpo ir ao encalço de mais uma conquista. Logo mais adiante, Eco se depara com a deusa Hera à procura do marido. Esperta, Eco diz a Hera que Zeus acabara de passar, procurando por ela e que seguiu pela direita. Hera fica entre envaidecida e desconfiada por essa inusitada atitude de Zeus.

Assim que Hera se vai, Zeus, que tudo observava, fica extremamente agradecido a Eco por tê-lo acobertado da furiosa esposa e a presenteia com um precioso anel. Eco fica feliz da vida!

Não demora muito e a deusa Hera surge novamente para falar a Eco que não encontrou o marido. Ao avistar o belíssimo anel no dedo da ninfa, compreende o ardil e a penaliza dizendo que, à partir de então Eco deixará de ser uma fofoqueira mentirosa! Faz com que a pobre Eco perca a voz e passe somente a repetir as últimas palavras de tudo o que ouve. De tanto se imiscuir na vida alheia, Eco não tem mais opinião própria.

Narciso, cuja palavra é derivada de nárke (entorpecimento, torpor, daí os narcóticos), era filho da ninfa azul Liríope e do Deus-Rio Cefiso.

O menino era tão belo, mas tão belo que a mãe ficou deveras preocupada com seu futuro. Nessa cultura, uma beleza fora do comum sempre assustava porque era provável que isso arrastasse o mortal para a hýbris, a desmesura, a falta de medida, fazendo com que ultrapassasse o métron (a justa-medida) tão cara aos antigos gregos. Embora a beleza fosse outorgada pelos deuses, Narciso era mais belo até que os Imortais.

A mãe de Narciso, continuamente preocupada com o destino de um filho tão belo, foi consultar o vidente Tirésias a fim de saber quantos anos viveria o menino, e o mântico lhe disse: “Narciso viverá até uma idade muito avançada, desde que nunca veja a si mesmo”. A mãe não compreendeu muito bem a profecia, mas tranqüilizou-se.

Qualquer pessoa poderia, com razão, apaixonar-se por Narciso. Quando ele mal chegou aos 16 anos, já deixara para trás uma trilha de corações partidos de ambos os sexos. Era desejado pela Grécia inteira! Por conta disso, tinha um orgulho obstinado de sua própria beleza, pois acreditava que não havia ninguém à sua altura.

Certo dia a ninfa dos bosques, Eco avistou Narciso e apaixonou-se perdidamente por ele. Quando Narciso saiu para caçar cervos com seus amigos, Eco se escondeu e o seguiu. Estava desesperada para falar com ele, mas a punição da deusa Hera não lhe permitia ser a primeira a falar, e tudo quanto podia fazer era repetir exatamente as últimas palavras que ouvia.

Narciso, percebendo a presença de alguém gritou: “Há alguém aqui?”Aqui! Eco respondeu.

Essa voz surpreendeu Narciso, que não avistava ninguém.

Então ele pediu: “Venha!”

Venha! Repetiu Eco.

“Por que você me evita?” Gritou Narciso.

Evita? “Vamos ficar juntos aqui!” Apelou o formoso rapaz.

Aqui! Disse Eco ao sair de seu esconderijo, correndo em direção a Narciso.

Mas ele era frio, insensível e a repeliu empurrando-a violentamente: “Morrerei antes que você se deite comigo!”, gritou ele, fugindo dela. Comigo..., suplicou Eco.

Narciso se fora e ela, envergonhada pela rejeição, passou a viver nas cavernas e entre os rochedos nas montanhas, sofrendo pela indiferença do rapaz. Motivada pela desilusão, começou a definhar. O desgosto por um amor não correspondido pode mesmo fazer com que o apaixonado deixe de se alimentar. Eco, frustrada, comete o vagaroso suicídio anoréxico, até que só resta um fio de sua melancólica voz.

Narciso era arrogante e perverso, sem compaixão pelos que por ele se apaixonavam. Um dia enviou uma espada ao jovem Amantís, seu pretendente mais insistente. O rapaz se matou na soleira da porta de Narciso, conclamando aos deuses que vingassem sua morte, fazendo com que Narciso conhecesse a dor do amor não correspondido.

Numa das versões, a deusa Ártemis ouviu e decidiu atender o rogo. Noutras foi a deusa Némesis (a justiça distributiva e por isso mesmo, vingadora das injustiças). Há ainda autores que afirmam que quem o puniu foi a deusa do Amor e da Beleza, Afrodite, que nutria afeição por Eco. O fato é que Narciso foi condenado a amar um amor impossível!

Em Donacon, na Téspia, Narciso chegou a um lago claro, límpido como prata, águas essas que jamais foram tocadas por pastores ou rebanhos; rodeada de uma relva sempre verde, à sombra das árvores e protegida do ardor do sol. Seduzido pela beleza de tão aprazível lugar, Narciso, fatigado pela caça e pelo calor, foi ali repousar. Exausto, debruçou-se na grama da margem para matar sua sede e, deslumbrado pela imagem que viu, ficou paralisado: apaixonou-se por si mesmo! Que angústia! Engano fatal, Narciso mergulha no lago e desaparece sob as águas.

Diz o mito que, no lugar onde ele mergulhou, brotou uma linda flor que inclina suas pétalas para contemplar-se na água. Deram-lhe o nome de Narciso.

Este mito ilustra bem o risco do narcisismo, simbolizado pela vaidade, pelo solipsismo, que significa considerar exclusivamente o “eu” como única realidade.

Denominamos de “narcisistas” as pessoas que, egoisticamente, só pensam à partir de si mesmas, desprezando os sentimentos dos outros. A imagem refletida nas límpidas (ou diríamos turvas?) águas de nossa imaginação, não possui equivalência no mundo real. Imaturo, o narcisista vê “o Outro” com indiferença e desdém, tornado-se impossibilitado de penetrar no mundo alheio. Anseia por aplausos, subserviência e bajulação.

Há um grau razoável de amor-próprio saudável e até mesmo necessário para que se equilibre a percepção de nossas necessidades em relação às de outrem.

Mas em desmedida, a auto-suficiência torna o narcisista incapaz de amar outra pessoa.

Quanto a Eco, ela continua respondendo a todos que a chamam e conserva, até hoje, seu costume de dizer sempre a última palavra!

...palavra!
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Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

Busque sempre a excelência!

TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

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O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

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