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1 de mai de 2011

KANT e uma Filosofia da História - Para onde caminha a humanidade?



"Quem não pensa e age para melhorar o mundo será atropelado pela História." jornalista Eliane Brum

Pensando sobre o homem em sociedade (antropologia política), Immanuel Kant publica “Ideia de uma história universal de um ponto de vista cosmopolita” (1784), obra considerada pedra angular para a Filosofia da História.

Intrigado, o filósofo de Könisgberg intenta elucidar o que fomenta, de que forma e qual seria o télos (propósito, finalidade) da evolução da raça humana.

Sabemos que a natureza, da qual fazemos parte, nos impõe suas inegociáveis leis. Assim, das estações e das órbitas planetárias, da geração, crescimento, desejo de união, maturidade, decrepitude e morte, como os demais animais, também somos reféns.

Constatamos que a natureza detém um éthos (hábito, conduta, habitat) específico e que este éthos obedece a uma doutrina teleológica própria. E no homem, excetuando-se suas pulsões instintivas, enquanto ser racional a construir seu próprio éthos, há algum propósito oculto? Kant afirma que sim e que as ações do homem em sociedade registradas pela História revela esse propósito.

Sofisticadamente distintos dos animais, pois dotados da centelha que nos torna imortais enquanto gênero (ação racional), avançamos, legando conhecimentos: do afã de saciar a fome a gastrônomos; da necessidade de protegermo-nos, vestindo, criamos moda, do anseio por prazer, aprovação e conforto, desenvolvemos técnicas.

De fato, através de gerações e gerações, nosso cérebro é constantemente aperfeiçoado. Se nossa prole, ainda na mais tenra idade, identifica a água como sendo “H2O” e é capaz de compreender que, quando filtrada está livre de bactérias (mesmo que façam somente uma vaga ideia do que sejam bactérias), isso se deve a toda uma geração que a antecede.

Curiosamente, a História evidencia que muitos de nossos propósitos particulares coincidem com o da natureza.


Um exemplo é a união estável entre as pessoas: “a livre vontade dos homens tem tanta influência sobre os casamentos, os nascimentos que daí advém e a morte, eles não parecem estar submetidos a nenhuma regra (...). E, no entanto, (...) eles acontecem de acordo com leis naturais constantes (...)”.

Nossas atitudes manifestam nossa vontade livre, e esta ‘vontade livre’, embora imaginemos ser aleatória, é determinada por leis naturais universais. Não enxergamos isso observando a atitude de cada indivíduo em si (árvore), mas ao vislumbrarmos a sociedade (floresta) como um todo.

Essas “leis” são reveladas pela história que, por registrar, narrando insensatez e façanhas é capaz de descobrir e por em relevo – não àquilo que fazemos enquanto indivíduos – mas, àquilo que manifestamos enquanto seres políticos, sociais.

Em nossa conduta trazemos a marca da dualidade (animal + racional): nem procedemos somente por instinto, como os animais, “nem tampouco como razoáveis cidadãos do mundo”.

Construímos nossos éthos – não de forma linear – mas de modo inconstante, lento e penoso, num jogo de avanços e retrocessos. O que a ratio retém como comprovadamente bom ou útil à espécie, permanece, já o que ofende ultrajando a racionalidade, vai sendo, aos poucos, preterido até ser completamente excluído de nosso modus vivendi: “o fim último da espécie humana é alcançar a mais perfeita constituição política”, diz Kant.

São tantas as nossas incoerências que não há como pressupor propósito racional no homem individual, mas somente investigar e identificar uma finalidade na natureza racional humana, tomando suas ações como um fio de Ariadne para vislumbrar esse propósito. Cabe à história então, tomando um determinado plano e escopo da natureza como condutor, revelar os erros e os acertos de “criaturas que procedem sem um plano próprio”, como diz.

E qual é o dispositivo que desencadeia este propósito oculto nas “leis” da natureza, leis estas às quais (enquanto sociedade), em nosso desenvolvimento, realizamos mesmo que não estejamos cônscios?

Antagonismo. E explica: “Eu entendo aqui por antagonismo a insociável sociabilidade dos homens, ou seja, sua tendência a entrar em sociedade que está ligada a uma oposição geral que ameaça constantemente dissolver essa sociedade”.

Existir é existir com. E ponto com. O homem tem mesmo uma predisposição a associar-se e assim pode desenvolver melhor sua “humanidade”. Mas Kant ressalta que “ele também tem uma forte tendência a separar-se (isolar-se) porque encontra em si ao mesmo tempo uma qualidade insociável que o leva a querer conduzir tudo simplesmente em seu proveito, esperando oposição de todos os lados, do mesmo modo que sabe que está inclinado a, de sua parte, fazer oposição aos outros”.

Este componente intrínseco – luta de contrários, diria Heráclito –, ao qual Kant dá o nome de “oposição” é o que desafia e move o homem a sair da letargia, a superar sua tendência à preguiça, como ele mesmo diz, e partir para a conquista de seus objetivos, sempre movido pela busca de projeção, pela ânsia de dominação ou cobiça.

Tudo isso para (espantemo-nos, mas nem tanto) destacar-se entre os pares, para proporcionar a si próprio “uma posição entre companheiros que ele não atura, mas dos quais não pode prescindir”. É dessa forma que somos levados da rudeza à cultura, diz o autor da “Crítica da razão pura” e da “Metafísica dos costumes”. Nisto consiste propriamente o valor social do homem.

Do anseio por esta posição de destaque, virão os talentos, o bom gosto, o refinamento e, num “progressivo iluminar-se (Aufklärung), a fundação de um modo de pensar que pode transformar, com o tempo, as toscas disposições naturais para o discernimento moral [eis a razão exercendo seu mister] em princípios práticos determinados e assim finalmente transformar um acordo extorquido ‘patologicamente’ para uma sociedade em um todo moral”.

Topós do livre-arbítrio, este seria o modo de preencher o vazio da criação em vista de nosso propósito enquanto natureza racional. Queremos viver prazerosamente com toda comodidade, mas a natureza exige que nos lancemos ao trabalho até a fadiga para que, usando a inteligência, nos livremos desses últimos: “Agradeçamos, pois, à natureza a intratabilidade, a vaidade que produz a inveja competitiva, pelo sempre insatisfeito desejo de ter e também de dominar! Sem eles todas as excelentes disposições naturais da humanidade permaneceriam sem desenvolvimento, num sono eterno”.

Heraclitiano, embora reconheça que o homem quer a concórdia, Kant afirma que a natureza sabe mais o que é melhor para a espécie, ela quer a discórdia: “Os impulsos naturais que conduzem a isto, as fontes da insociabilidade e da oposição geral, de que advêm tantos males, mas que também impelem a uma tensão renovada das forças e a um maior desenvolvimento das disposições naturais, revelam também a disposição de um criador sábio, e não a mão de um espírito maligno que se tenha intrometido na magnífica obra do Criador ou a estragado por inveja”.

Resgatada a perfeita grandeza do Demiurgo, temos, aqui na terra, a natureza a nos exigir solução para o problema que Kant aponta como sendo o maior para a espécie humana: “alcançar uma sociedade civil que administre universalmente o direito”.

Embora a natureza pareça cega, não o é em seus caprichos com sua mais perfeita criação: a razão humana. Financialismo, Fukushima, Realengo, ditadores, corrupção, tráfico de armas, de órfãos haitianos para pedófilos, contra toda avalanche de miséria refugiada em anonimato e conluio, ergue-se a disposição racional – o éthos humano – que ruma, vagaroso e cambaleante, em direção a um mundo mais digno. Para nossos descendentes.

Dedicado à bela admiradora de Kant, Profª Drª Maria Garcia.


"... Volta os olhos para a Luz da Aurora!
Afasta para longe o véu do sono!
Não tenhas medo de um gesto atrevido,
Enquanto o vulgo hesita e se extravia!
Tudo conseguem os nobres espíritos
Que sabem compreender e decidir."

GOETHE, "Fausto" parte II, 1º Ato
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Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

Busque sempre a excelência!

TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

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