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1 de mai de 2014

A VONTADE DE CRER - William James (Parte II)


“A ciência pode nos dizer o que existe, mas, para comparar os valores tanto do que existe como do que não existe, precisamos consultar não a ciência, mas o nosso coração”. William James

Prosseguimos com um dos fundadores da psicologia moderna, William James (1842-1910), e suas ponderações sobre a legitimidade da Fé, de se crer em algo (Clique AQUI para conferir o artigo anterior).

O autor afirma que a crença é profana quando conferida a afirmações não provadas e não questionadas, pelo conforto e prazer pessoal do crente: “Uma crença assim é pecadora porque é roubada em desrespeito a nossa obrigação para com a humanidade.”.

Quanto à proposição que temos de que existe uma verdade e de que nossa mente e essa verdade são feitas uma para a outra: “o que é isso senão uma afirmação apaixonada de desejo, em que nosso sistema social nos dá suporte?”.

Sim, queremos ter uma verdade, queremos acreditar que nossas experiências, estudos e discussões devem nos colocar numa posição melhor e concordamos em lutar para levar adiante nossa vida pensante. Mas, se um cético nos perguntar como sabemos tudo isso, será que nossa lógica poderá encontrar uma resposta? Não, afirma William James. “É apenas uma volição contra outra (...).”.

Como regra, diz o autor, desacreditamos de todos os fatos e teorias para os quais não temos uso: “Essa própria lei que os lógicos pretendem impor a nós – se posso chamar de lógicos os que descartariam nossa natureza volitiva nessa questão – é baseada em nada mais do que em seu próprio desejo natural de excluir todos os elementos para os quais eles, em seu atributo profissional de lógicos, não podem encontrar um uso”.

James diz ser evidente que nossa natureza não-intelectual influencia de fato nossas convicções: “Puro discernimento e lógica, o que quer que possam fazer idealmente, não são as únicas coisas que de fato produzem nossos credos.”.

A tese que James defende é a de que nossa natureza passional não só pode, como deve, licitamente decidir-se por uma opção entre proposições sempre que esta não possa, por sua natureza, ser decidida sobre bases intelectuais.

Sobre “sistemas”, diz: “Um sistema, para que seja realmente um sistema, deve vir como um sistema fechado, reversível neste ou naquele detalhe, talvez, mas, em suas características essenciais, jamais!”.

A ortodoxia escolástica, diz ele, à qual sempre é preciso recorrer quando se deseja encontrar afirmações perfeitamente claras, fez uma bela elaboração dessa convicção absolutista numa doutrina que ela chama de “evidência objetiva”.

Ele nos chama a atenção para o fato de que, se somos incapazes de duvidar que existimos e estamos lendo esse texto, de que 2 + 2 = 4 e de que todos os homens são mortais e que também somos mortais, é porque essas coisas iluminam nosso intelecto de forma irresistível.

A base decisiva dessa evidência objetiva possuída por certas proposições, diz ele, é adequação de nosso intelecto à realidade, pois o objeto mentalmente recebido não deixa atrás de si nenhuma possibilidade de dúvida.

De certas coisas, consideramos estar seguros: sabemos, e sabemos que sabemos. Há algo que dá um “clique” dentro de nós.

Para James, somente experimentando e refletindo sobre nossa experiência é que nossas opiniões podem se tornar mais verdadeiras e há apenas uma verdade indefectivelmente certa (...) – a verdade de que o presente fenômeno da consciência existe. Esse é o mero ponto de partida do conhecimento, algo sobre o que filosofar.

As várias filosofias não passam de muitas tentativas de expressar o que esse algo [fenômeno da consciência] realmente é, mas nenhum teste concreto do que é realmente verdadeiro encontrou consenso até hoje.

Afirmar que certas verdades agora a possuem [evidência objetiva] é simplesmente dizer que, quando as pensamos como verdadeiras e elas são verdadeiras, então sua evidência é objetiva, caso contrário não o é. Porém, na prática, a convicção de uma pessoa de que a evidência que ela adota é de fato do tipo objetivo é apenas mais uma opinião subjetiva acrescentada às demais.

James afirma que, para um empirista, não importa de que parte uma hipótese pode chegar até ele; a paixão pode tê-la sussurrado ou o acidente a sugerido; porém, se a tendência total do pensamento continua a confirmá-la, isso é o que ele leva em conta para considerá-la verdadeira.

Não só encontramos nossa natureza passional nos influenciando em nossas opiniões como um processo natural, como também que há algumas opções entre opiniões em que essa influência deve ser vista como um determinante inevitável e lícito de nossa escolha.

O autor pondera que os tribunais de justiça, de fato, têm de decidir com base nas melhores evidências obteníveis no momento, porque a tarefa de um juiz é tanto fazer a lei como verificá-la, e (como um juiz douto certa vez disse a ele) poucos casos são merecedores de que se gaste muito tempo neles: o bom é decidi-los com base em qualquer princípio aceitável e tirá-los do caminho.

Porém, pondera, em nossa relação com a natureza objetiva, somos evidentemente registradores, e não criadores, da verdade; e decisões tomadas com o simples propósito de decidir sem demora e passar para o próximo assunto seriam totalmente inadequadas.

Reitera que por toda a extensão da natureza física, os fatos são o que são, independentemente de nós (...) e a ciência seria muito menos avançada do que é, se os desejos passionais dos indivíduos de ver suas próprias fés confirmadas tivessem sido mantidos fora do jogo.

O investigador mais útil, por ser o observador mais sensível, é sempre aquele cujo interesse por um lado da questão é equilibrado por um receio igualmente ansioso de estar enganado.

A ciência organizou esse receio numa técnica regular, seu chamado método de verificação, e se apaixonou de tal forma por esse método que seria mesmo possível dizer que deixou de se preocupar com a verdade em si. É apenas a verdade tecnicamente verificada que interessa a ela. As paixões humanas, porém, são mais fortes do que as regras técnicas.

E, por mais indiferente que o juiz, o intelecto abstrato, possa ser a tudo que esteja fora das puras regras do jogo, os jogadores concretos que o suprem do material a ser julgado geralmente estão, cada um deles, apaixonados por alguma hipótese favorita pessoal.

Questões morais apresentam-se imediatamente como questões cuja solução não pode esperar por uma prova sensível, diz James: “Uma questão moral não é uma questão do que existe no plano sensível, mas do que é bom, ou do que seria bom se existisse.”.

A própria ciência – aponta o autor – consulta seu coração quando afirma que a infinita determinação do fato e a correção da falsa crença são os bens supremos para o homem. Desafie-se a afirmação, e a ciência só poderá repeti-la oracularmente, ou então prová-la mostrando que tal determinação e tal correção trazem ao homem todo tipo de outros bens que seu coração, por sua vez, declara.

 Temos o direito de acreditar, assumindo nossos próprios riscos, em qualquer hipótese que seja suficientemente viva para atrair nossa vontade. Em todas as situações importantes da vida, temos de dar um salto no escuro.


Agir da melhor maneira, esperar pelo melhor e assumir o que vier. Se a morte for o fim de tudo, não poderemos ter encontro melhor com ela, conclui, citando Fitz-James Stephen.

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ESCOLHA & CLIQUE (leia no topo). Cultura faz bem ao Espírito!

Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

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As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

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AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

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Busque sempre a excelência!

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