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1 de ago de 2014

A atemporalidade dos ensinamentos de Maquiavel - Parte II


“O homem circunspecto, quando chega a ocasião de ser impetuoso, não o sabe ser, e por isso se arruína, porque, se mudasse de natureza, conforme o tempo e as coisas, não mudaria de sorte”. Nicolau Maquiavel

Finalizamos o artigo anterior (AQUI) insistindo que as pessoas são levadas pelas aparências, daí a importância de se aparentar possuir boas qualidades. Até aqui, parece-me que não mudamos muito desde o renascimento.

Maquiavel prossegue então, esclarecendo que, dentre as características que podem nos fazer desprezíveis constam: ser volúvel, leviano, pusilânime e irresoluto.

E dentre as qualidades admiradas, lista a grandeza, a coragem, gravidade e fortaleza, além da firmeza daqueles cujas sentenças são irrevogáveis, o que faz com que nem passe pela cabeça de alguém nos enganar.

Quem tem poder, sempre terá "bons" amigos. Castigos, reprimendas, enfim, imposição das penas, devem sempre ser delegada a terceiros, já das boas notícias, dos agraciamentos e demais benfeitorias, devemos nos encarregar pessoalmente.

Não convém que permitamos que alguém nos odeie, mas se isso for mesmo inevitável, que – ao menos – evitemos ser odiados pela maioria, pois uma boa reputação sempre nos defende. Fazer coisas vis, pouco dignas nos torna desprezíveis no conceito das pessoas e não há fortaleza que nos proteja disso (que o Governo de Israel, atente a isso em Maquiavel).

Por isso é tão importante que se trabalhe no sentido de, em cada ação, conquistar fama de grande homem: “Nada faz estimar tanto um príncipe como os grandes empreendimentos e o dar de si raros exemplos”, diz Maquiavel.

Diz ainda que é estimado quem sabe ser verdadeiro amigo e verdadeiro inimigo: “(...) isto é, quando, sem qualquer preocupação, age abertamente em favor de alguém contra um terceiro”. E comprova, por A+B que tomar partido será sempre mais útil do que conservar-se neutro.

A tibieza (ficar em cima do muro) deve ser evitada porque, segundo ele, “se dois poderosos vizinhos teus se puserem a brigar, ou são de qualidade que, vencendo um deles, tenhas que temer o vencedor ou não”.

Salienta que em qualquer caso será sempre mais útil tomar partido e fazer guerra de fato porque, se não estivermos ao lado de quem vencer, seremos sempre presa dele, do vencedor. E, detalhe: com grande prazer por parte do derrotado, já que optamos por nos abster: “E não tens razão nem coisa alguma em tua defesa nem quem te acolha”.

Por outro lado, quem vence não quer amigos suspeitos, que não ajudem nas adversidades. E assim, numa polêmica, o “mosca morta” que não se decide sobre qual parte apoiar não poderá contar nem com quem venceu nem com quem perdeu.


Perspicaz, Maquiavel aponta que aquele que não é teu amigo pedirá que sejas neutro e aquele que é teu amigo pedirá que tomes partido abertamente: “E os príncipes irresolutos, para se afastarem destes perigos, seguem, as mais das vezes, aquela linha neutra, e quase sempre são mal sucedidos”. É interessante como essa teoria pode ser confirmada até mesmo nos mais prosaicos e ordinários conflitos familiares ou empresariais.

Quando tomamos coragem e nos colocamos abertamente ao lado de um dos que estiverem em conflito, se aquele ao qual aderimos vencer, ainda que seja poderoso ele terá obrigações para conosco e será compelido a nos devotar amizade: “e os homens não são nunca tão maus que queiram oprimir a quem devem ser gratos”.

Por outro lado, Maquiavel afirma que se aquele a quem ajudamos vier a perder a questão, ele nos socorrerá quando puder, e, nesse caso, ficaremos ligados a uma fortuna (sorte) que pode ressurgir: “A prudência está justamente em saber conhecer a natureza dos inconvenientes e adotar o menos prejudicial como sendo bom”.

O Florentino reitera que um príncipe deve mostrar-se amante das virtudes e honrar os que se revelam grandes numa arte qualquer. Deve também, nas épocas apropriadas, proporcionar festas e espetáculos ao povo, além de dar provas de afabilidade e munificência, mantendo sempre integral, contudo, a majestade da sua dignidade, a qual não deve faltar em nada.

Sobre aqueles que elegemos para participar de nossa vida, diz ser de grande importância saber escolher, pois “A primeira conjetura que se faz, a respeito das qualidades de inteligência de um príncipe, repousa na observação dos homens que ele tem ao seu redor”. Eis sua releitura do famoso “Diz-me com quem andas...”.


Evita-se o erro na escolha – seja do cônjuge, dos funcionários ou dos amigos – ao saber reconhecer as qualidades de competência e fidelidade. Isso é ser sábio.

O autor deve ter presenciado tantas, mas tantas intrigas que insiste em salientar inúmeras vezes, o quão é importante que não confiemos em ninguém: “Não desejarias cair só por creres que encontrarias quem te levantasse. Isso ou não acontece, ou, se acontecer, não te dará segurança, porque é fraco meio de defesa o que não depende de ti”, ressaltando que só são bons, certos e duradouros os meios de defesa que dependem de nós mesmos e do nosso valor.

Maquiavel reconhece que muitas pessoas comungam da opinião de que as coisas do mundo são governadas pela fortuna e por Deus, de modo que a prudência dos homens não pode corrigi-las e que, por isso, poderíamos achar ser desnecessário nos incomodarmos, deixando que a sorte nos governe.

Afirma pensar que a fortuna seja mesmo árbitra de metade de nossas ações, mas que, no entanto, ainda assim, ela, a fortuna, nos deixa governar quase a outra metade. 


Comparando a fortuna (o acaso) a um rio impetuoso que quando se encoleriza alaga e destrói tudo, chama a atenção para o fato de que, quando as coisas se acalmam, os homens podem sim, fazer os reparos necessários, precaverem-se para os reveses.

É assim que acontece com a (má) fortuna, diz ele: “O seu poder é manifesto onde não existe resistência organizada, dirigindo ela a sua violência só para onde não se fizeram diques e reparos para contê-la”.


Não é raro testemunharmos o sucesso e a ruína de muitos, mesmo que não tenha havido mudança na sua natureza, nem em algumas das suas qualidades. A razão disso é: “que quando um príncipe se apoia totalmente na fortuna, arruína-se segundo as variações daquela”. Claro: a "Roda da Fortuna"... Roda.

Apropriado é, segundo Maquiavel, combinar o modo de proceder com as particularidades dos tempos, e “infeliz o que faz discordar dos tempos a sua maneira de proceder”. Adequação é a palavra-chave, nesses casos.

Na busca por glória e riquezas, os homens costumam proceder de modos diversos: uns são circunspectos, outros impetuosos; Uns agem com violência, outros com astúcia, paciência e, cada um, por estes diversos modos pode alcançar seus objetivos: “Vê-se que, de dois indivíduos cautelosos, um chega ao seu desígnio e outro não, e do mesmo modo, dois igualmente felizes, com dois modos diversos de agir, são um circunspecto e outro impetuoso, o que resulta apenas da natureza particular da época, e com a qual se conforma ou não o seu procedimento”. Ele insiste em alertar que quando os tempos mudam, quem não altera seu modo de proceder, se arruína.

E, quando a fortuna se altera – e a única certeza, como já disse Heráclito, é a mudança –, convém alterarmos também nosso modo de agir, adequando-o conforme as exigências das novas circunstâncias. Ajustemos o leme. Constantemente.

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Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

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TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

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O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

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