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6 de mar de 2017

Curso de Mitologia Grega e Romana

PINACOTECA BENEDICTO CALIXTO





MÓDULO BÁSICO: 15 | MARÇO | DAS 15 ÀS 17H
MÓDULO II:          29 | MARÇO | DAS 15 ÀS 17H



Pinacoteca Benedicto Calixto pelo fotógrafo Nilo Piccoli.

O POINT + "CULT" DE SANTOS!
 




Confira, abaixo, alguns trechos de nosso Curso de Mitologia:


Matrículas: na secretaria da Pinacoteca ou através do e-mail: mitologia@esdc.com.br

 

1 de mar de 2017

Caim e Abel - O relato de como, já na 1ª família, "deu ruim"


Adão, Eva, Caim e Abel, por Francesco Bacchiacca.


  Todos aqueles que conseguem um objetivo são invejados por aqueles que não o alcançaram ou falharam.” Aristóteles

Nada revela mais sobre nossa psique que os arquétipos mitológicos, sejam eles judaico-cristãos ou pagãos. Para compreendermos o que origina o ressentimento por Abel, desencadeado em Caim, perscrutemos a relação de Deus para com estes primeiros irmãos.

Os que assemelham-se a nós, um irmão, uma irmã, são sempre um “outro”, espelho e “régua” com o qual nos autoavaliamos. E, sabemos que o “medir-se” pode vir a suscitar admiração ou despertar inveja.

Eva, Caim e Abel por John-William Bouguereau.

O relato bíblico de Caim e Abel culmina num dos pecados à espreita daqueles que, de alguma forma, se sentem injustiçados pelos pais, os amigos, o chefe ou até mesmo pelo Juiz do céu e da terra: Deus.

Segundo a narrativa em Gênesis, no Antigo Testamento, Adão conheceu Eva, sua mulher. Ela concebeu e deu à luz Caim, e disse: “Gerei um homem com o auxílio do Senhor”. A seguir, deu também à luz Abel, irmão de Caim. Abel foi pastor; e Caim, lavrador.

Logo no início, Eva reconhece o auxílio de Deus na geração de Caim. A seguir, nasce Abel. Do ponto de vista histórico, talvez tenha havido conflito hierárquico quanto às atividades de apascentar rebanhos e cultivar a terra, no entanto, ambas as técnicas são importantes à subsistência.

Ao fim de algum tempo, Caim apresentou ao Senhor uma oferta de frutos da terra. Por seu lado, Abel ofereceu primogênitos do seu rebanho e as gorduras deles.

Nas culturas antigas, o re-ligare, a religião, estava intrinsecamente atrelada à manifestação de gratidão por tudo o que o divino (metafísica), através da terra (física) nos concedia.

O senhor olhou favoravelmente para Abel e para sua oferta, mas não olhou para Caim nem para sua oferta.

Há distinção – clara! – da parte do 'Pai”, tanto sobre a oferta em si quanto ao filho que a faz. Talvez houvesse em Abel algo que agradara ao Criador: humildade. O coração de Abel é puro, Deus sabe e o corresponde.

O desafio à Caim é reconhecer e aceitar essa deferência ao seu irmão. Sendo evidente que sempre haverá quem receba maior distinção que nós, estaria na reação ao favoritismo divino (provação empreendida por Àquele que nos criou e ao qual estamos submetidos) o teste da opção pela resignação ou pela revolta, tal qual ocorrera com o primeiro anjo caído, Lúcifer?

Lúcifer, por Alexandre Carbanel.

Caim ficou muito irritado e o rosto transtornou-se-lhe. O senhor disse a Caim: “Por que estás zangado e o teu rosto está abatido? Se procederes bem, certamente voltarás a erguer o rosto; se procederes mal, o pecado deitar-se-á à tua porta e andará a espreitar-te. Cuidado, pois ele tem muita inclinação para ti, mas deves dominá-lo”.

No momento em que testemunha o olhar favorável às dádivas de Abel, Caim começa a invejá-lo, pois como atesta a psicanalista Melanie Klein: “A inveja sofre ao ver o outro possuir o que ela quer para si”. Sentindo-se preterido, Caim fica irritado e, uma vez que “a destrutividade da inveja recai sobre quem a sente”, a fisionomia o denuncia.

Embora onisciente, Deus pergunta-lhe o por quê de estar abatido e o orienta sobre o fato de que SE AGIR BEM, voltará a erguer o rosto, numa clara alusão ao (re)encontro Dele, que está nas alturas.

Afirma a existência do pecado, que se inclina à Caim e sobre o dever de dominá-lo. O mal espreita o vaidoso que, em seu orgulho, exige equidade, imparcialidade: “A inveja é uma paixão relacionada à busca de uma idealizada igualdade entre os homens”, afirma Klein.

Seria essa exigência de igualdade lícita e democrática se houvesse paridade nos sentimentos e nas ações de todos, o que sabemos ser implausível.

Entretanto, Caim disse a Abel, seu irmão: “Vamos ao campo”. Porém, logo que chegaram ao campo, Caim lançou-se sobre o irmão e matou-o.

Caim e Abel, por Pietro Novelli (1603-1647).

Mesmo tendo sido alertado sobre a necessidade de dominar a tentação para proceder mal, Caim sucumbe, e consuma na prática o que já fizera em pensamento: mata seu irmão.

O Senhor disse a Caim: “Onde está Abel, teu irmão?” Caim respondeu: “Não sei dele. Sou, porventura, guarda do meu irmão?” O Senhor replicou: “Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama da terra até Mim. De futuro, serás maldito sobre a terra que abriu a sua boca para beber da tua mão o sangue do teu irmão. Quando a cultivares, negar-te-á as suas riquezas. Serás vagabundo e fugitivo sobre a terra.”

Caim amaldiçoado por João Maximiano Mafra (1851).

Deus pergunta por Abel. O assassino – e aqui, desde que os homens caminham sobre a terra – não há nenhuma novidade – nega saber dele. “A voz do sangue” é ouvida por Deus.

Pelo crime perpetrado contra seu irmão, Caim é amaldiçoado, obstada fica sua prosperidade (eis a miséria atrelada ao castigo). É condenado a vagabundear vivenciando a aflição de ser fugitivo, sem paz.

Caim disse ao Senhor: “O meu castigo é excessivamente grande para ser suportado. Expulsas-me hoje desta terra: obrigado a ocultar-me longe da Tua face, terei de andar fugitivo e vagabundo pela terra, e o primeiro a encontrar-me matar-me-á”.

Caim reconhece o quão pesada é a pena a cumprir. Sente-se obrigado a ocultar-se, longe da face de Deus que, luminosa, não é contemplada pelo pecador. Também presume vir a ser vítima do mesmo crime que perpetrou.

Louis-Ernest Barrias (1841-1905). "Les Premières funérailles", 1883. Musée des Beaux-Arts de la Ville de Paris, Petit Palais.

 O Senhor respondeu: “Não, se alguém matar Caim será castigado sete vezes mais”. E o senhor marcou-o com um sinal, a fim de nunca ser morto por quem o viesse a encontrar. Caim afastou-se da presença do Senhor e foi residir na região de Nod, ao oriente do Éden.

O relato encerra-se com a misericórdia divina, pois Caim foi marcado com um sinal que poupará sua vida.

O sinal de Deus sobre Caim tem sido apropriado e perversamente distorcido por muitos que arrogam para si uma suposta superioridade sobre os demais, ousando perpetrar e justificar a barbárie. O sinal não está nos judeus, como outrora aventou Santo Agostinho, tampouco nos negros, como simpatizam os racistas. Indelével no precursor de toda humanidade é a culpa, fruto de nossa dívida eterna para com o Criador.

Não sejamos coniventes com o fomento do MAL que –, valendo-se de nossa inerente vaidade (se não o fôssemos, não invejaríamos) – mesmo ardiloso e sorrateiro, não deixa de ser perscrutável.

Precipuamente inclinados ao pecado, permitir que a inveja faça morada em nossos corações, não consuma – necessariamente –, homicídios, mas formas rasteiras de agressão ao invejado, tais como fofoca e discórdia, provocando intrigas.

Agindo assim, com a culpa de saber-se invejoso, instaura-se o desassossego. Ao decidirmos proceder bem, não nos inquietando pelas benesses recebidas pelos demais, erguemos com altivez nosso rosto ao Eterno. E, mesmo que não crentes em nenhuma religião, às estrelas, ao sol… à LUZ!


Imagem de Duccio di Buoninsegna (1308-1311).

Na quarta-feira de cinzas, inicia-se a Quaresma. Com a Fé em Cristo, vençamos o Mal, que nos afeta ainda mais quando recai sobre nossos ascendentes e descendentes. 
Exorcismo de São Bento: "Crux Sacra Sihi mihi lux; non draco sihi mihi dux; vade retro satana!; nunquan suad mihi vana; sunt mala quae libas; ipse venena bibas".
Tradução: "A Cruz sagrada seja a minha Luz. Não seja o Dragão meu guia. Retira-te Satanás! Nunca me aconselhes coisas vãs. É mal o que tu me ofereces. Bebe tu mesmo do teu veneno!". 


A QUEM INTERESSAR:
Dias 15 e 22 de Março, às 15h, na Pinacoteca Benedicto Calixto (Santos, SP), Curso de Mitologia Greco-romana (Módulo Básico e Módulo II) - Preço: R$ 100,00 - Inscrições: secretaria da Pinacoteca. Clique AQUI.
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ESCOLHA & CLIQUE (leia no topo). Cultura faz bem ao Espírito!

Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

Busque sempre a excelência!

TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

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O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

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Você se sentiu ofendido...

irritado (em seu "phrenas", como diria Homero) ou chocado com alguma imagem desse Blog? Me escreva para que eu possa substituí-la. e-mail: mitologia@esdc.com.br